Este é meu ano! Dia 28 de maio, passei a sentar na Cadeira 40 da Academia Rio-grandense de Letras. E neste mesmo 2009 do jubileu de prata de Um Guri Daltônico, meu primeiro livro, vivo a honra de ser patrono da 55ª Feira. É também o ano em que colegas da turma de Jornalismo da UFRGS, formandos de 1969, preparam um encontro para lembrar nosso começo profissional. A gente tem trocado e-mails para organizar a reunião.
Uma das colegas, Vera Morganti, veio me abraçar no Teatro Sancho Pança, durante a cerimônia de abertura da Feira. Ouviu meu discurso, em que apelo para minhas noras: Amarílis, Aline, quero ser avô, porque preciso contar histórias bem divertidas. Já que o Emiliano e o Glauco cresceram, estão uns homens, aguardo netinhos para me estimularem e me inspirarem, bem como os pais deles fizeram quando eram pequenos. Os dois casais andam constrangidos por tanta insistência e pressão, ainda mais em público.
Pois a Vera enviou mensagem para a Graça Fusquine, outra da turma de 1969, em férias na Alemanha. Disse que até no palco, diante de centenas de pessoas, o patrono recém-empossado veio mais uma vez com essa história da urgência de ser avô. As duas ficaram com pena: coitado, precisa de crianças no colo para continuar criando textos infantis. Tanta lástima que a Graça interrompeu as férias para me mandar um monte de dicas. E se ofereceu para me fornecer inspiração, pois ela vive cercada de netos: “Meu querido Urbim, não espere pelos netos biológicos para inspirar-se. Adote os meus e todos os outros que adoram histórias...”
Santo remédio para eu me acalmar e parar de encher o saco dos meus guris com a mania de ser avô. A Graça começou a me repassar excelentes motivos de inspiração, cada frase vinda da Alemanha é ideia para um livro infantil novo. “Thorsten pede à mãe todo o tempo que conte uma história. Mas não uma que exista. Sempre sobre algo totalmente inusitado. Por exemplo, mamãe, conta a história da água que fala. Ou mamãe, conta a história do leão que tinha medo do touro. Ou mamãe, conta a história da estrela que caiu do céu e se machucou. E agora lembrei uma de minha neta Victoria, com exatos 23 meses (faltava um para completar 2 anos), quando já falava ‘fluentemente’ e tinha um vocabulário imenso. Ela me perguntou: Vovó, passarinho é objeto? Respondi que não, expliquei a existência dos seres animados (que têm vida, os animais, as plantas, as pessoas etc) e os inanimados (os objetos, como mesas, cadeiras, talheres, pedras, etc). Ela me olhou com aquele rostinho angelical e concluiu, como se fosse a coisa mais natural do mundo: então, quando ele morre, ele vira objeto. Se você quiser inspiração, tenho uma fonte inesgotável... Beijos, Graça”.
Putz, agora não me faltam netos. Falta tempo para escrever tanta história linda.